Maior busca pelo vegetarianismo e suas motivações

Sobre os benefícios, um estudo publicado na Lancet (2019), ressaltou o quanto os sistemas de produção alimentar podem impactar o meio ambiente e que para promover a proteção dele, uma das estratégias a ser adotada é o aumento no consumo de alimentos de origem vegetal e redução no consumo de alimentos de origem animal. Outro ponto que vem destacando a adoção dessa forma de se alimentar é a popularização dela por meio de famosos que a adotam, por exemplo, o ator Joaquin Phoenix, a apresentadora Xuxa.

Dessa forma, o aumento do interesse a cerca do vegetarianismo crescem com isso a consequente adoção dessa forma de alimentação também. Nesse processo pela alimentação vegetariana, é comum conhecermos alguém que já tentou ser vegetariano ou mesmo vegano, mas com o tempo acabou desistindo. Ou seja, de maneira freqüente isso pode acontecer e ocorre por diversos motivos, muitos relatam dificuldades para encontrar opções sem carne, seja em restaurantes ou eventos sociais como aniversários além de outras questões relatadas como sensação de cansaço após tornar-se vegetariano e também por uma vontade de consumir carne.

Assim, por serem tantos motivos que podem dificultar essa transição ao vegetarianismo, a verdade é que não existe um passo a passo estruturado para nos dizer como podemos nos tornar vegetariano. No entanto, existem dicas muito importantes que podem facilitar esse processo.

Primeira dica – Entenda suas motivações :

A primeira dica seria entender de forma clara quais são os reais motivos que te levam a querer uma alimentação vegetariana e por meio dessas razões, se fortalecer, ou seja, buscar o embasamento dessas motivações, pesquisar sobre. Esse é um ponto crucial, pois quando temos claro quais são nossas motivações, fica mais fácil seguirmos de forma firme nos nossos objetivos. A justificativa para isso é que quando você tem estabelecido quais são os seus porquês, fica mais fácil encarar possíveis dificuldades que podem aparecer ao longo do caminho, por exemplo, encontrar opções sem carne, conviver em um ambiente social que ainda mantém o consumo regular da carne.

Segunda dica – Saiba quais alimentos colocar no lugar da carne:

Em segundo lugar é entender quais são os alimentos que devem ser colocados no lugar da carne, ou do ovo, leite e derivados. Nesse ponto, a lógica do acrescentar antes de tirar pode ajudar. Por exemplo, imagine restringir o consumo da carne e não colocar nada no lugar ou mesmo não conhecer e nem mesmo gostar de uma grande variedade de legumes, leguminosas como lentilha, ervilha, grão de bico, essa situação tornaria a transição mais difícil.
Por isso, busque entender mais sobre como funciona a alimentação vegetariana, buscar a ajuda de um profissional nutricionista que possa te orientar sobre as maneiras corretas de fazer as trocas alimentares relacionadas a carne. Justificando como a ajuda de um profissional pode ser bem vinda, estudos que avaliaram o porquê pessoas deixavam de ser vegetarianas, dois pontos relatados chamam a atenção, dentre eles:

  • Preocupações com questões de saúde, como fraqueza, anemia, possíveis faltas de nutrientes como proteínas;
  • Preparação vegetarianas, foi citada dificuldade para preparar alimentos e monotonia no preparo.

Mesmo com as questões citadas relacionadas à saúde, ao pensarmos que já é claro de forma científica que o vegetarianismo quando realizado da forma correta não traz riscos à saúde, os pontos relacionados à saúde, deixam de ser problemáticos. Desse modo a ajuda de um profissional que, além de poder realizar um check-up nos exames bioquímicos, poderá contribuir excluindo dúvidas e desmistificando os principais mitos sobre o vegetarianismo, além de poder fornecer diversas formas de preparo prático em receitas vegetarianas.

Terceira dica – Não tenha pressa:

Não ter pressa ao fazer a transição para o vegetarianismo pode facilitar todo o processo. Segundo um estudo de 2012, os pesquisadores Haverstock e Forgay, encontraram nos resultados que pessoas que fizeram a transição para o vegetarianismo de forma mais lenta, se mantiveram por mais tempo e permanecem nessa forma de alimentação. Isso se justifica por muitas questões. Por exemplo uma delas é o fato de que ao restringir aos poucos os produtos de origem animal, as pessoas têm mais tempo para pesquisar e entender sobre questões nutricionais, aspectos ligados a pecuária e seus impactos e sobre as questões relacionadas ao tratamento que os animais de criação recebem.

Além disso, outro assunto discutido é que uma mudança na forma de se alimentar, é algo que impacta todas as pessoas que convivem com quem está fazendo a transição. Concluindo que a transição gradual favorece que toda a família já que amigos se adaptam a essa mudança, podendo ajudar mais nesse processo.

Quarta dica – Mantenha um vínculo com as pessoas que pensam como você:

Ter um suporte social, que pode vir por meio de amigos que são vegetarianos, ou mesmo se manter ativo em páginas e grupos online que discutem o tema podem fazer com que a permanência na alimentação a base de plantas seja mais fácil. Evidenciando essa questão, estudos mostraram que o apoio social, ou seja, ter com quem compartilhar questões e dúvidas pode facilitar o processo de mudança.

E você, já fez sua transição para o vegetarianismo? Se tiver alguma dúvida ou queira agendar uma consulta para ajudarmos você é só entrar em contato conosco.

Bianca Bueno
Bianca Bueno

Nutricionista esportiva e preventiva
com foco em dietas plant based e
qualidade de vida.
Atendimentos em São Paulo-SP

Referências:

Barr SI, Chapman GE. Perceptions and practices of self-defined current vegetarian, former vegetarian, and nonvegetarian women. J Am Diet Assoc. 2002;102(3):354-360.

Haverstock K, Forgays DK. To eat or not to eat. A comparison of current and former animal product limiters. Appetite. 2012;58(3):1030-1036.

Melina V, Craig W, Levin S. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics: Vegetarian Diets. J Acad Nutr Diet. 2016;116(12):1970-1980.

Willett W, Rockström J, Loken B, et al. Food in the Anthropocene: the EAT-Lancet Commission on healthy diets from sustainable food systems. Lancet. 2019;393(10170):447-492.