Você provavelmente já deve ter visto por aí associações ou até mesmo você já pode ter associado a obesidade com preguiça. Pois saiba que a obesidade é uma doença que, inclusive, custa caro para as políticas de saúde! Neste artigo queremos alertar sobre essa doença, qual é seu índice de prevalência pelo mundo, como ela está cada vez mais presente, como pode se desenvolver, qual a sua relação com a genética e no que pode acarretar.

Prevalência de obesidade

Segundo dados publicados em 2020 pela Organização Mundial da Saúde, a prevalência mundial da obesidade quase triplicou entre 1975 e 2016. Em 2016, cerca de 13% da população mundial era obesa. Mais de 1,9 bilhão de adultos com 18 anos ou mais estava com sobrepeso sendo mais de 650 milhões destes, com obesidade.

Mas… o que pode levar a essa prevalência global de obesidade?

Essa é uma questão multifatorial, ou seja, diversos fatores podem contribuir para esse alto e crescente índice de prevalência. Trabalhos mais sedentários, avanços tecnológicos e aumento do consumo de alimentos não saudáveis e que são mais rápidos, como os fast foods, ​​são os principais desses fatores que levam à prevalência global da obesidade.

O que pode causar a obesidade?

A causa exata da obesidade é desconhecida; entretanto, parece haver uma relação complexa entre fatores biológicos, psicossociais e comportamentais, que incluem composição genética, status socioeconômico e influências culturais. Abaixo listamos alguns fatores que podem contribuir negativamente para a obesidade:

1. Estilo de vida inativo:

Muitas pessoas hoje em dia, além de não praticarem nenhuma atividade física, levam uma vida mais sedentária, ou seja, as pessoas estão passando mais horas em frente à televisão e aos computadores seja no trabalho ou em casa. Além disso, o uso de automóveis para o deslocamento diário ao invés de caminhadas é muito mais comum hoje em dia. O avanço tecnológico também contribui para esse estilo de vida mais inativo pois, tanto no trabalho quanto em casa, as demandas físicas ficaram mais reduzidas, o entretenimento com os vídeo games e jogos online estão em alta e são mais comuns hoje em dia também. Quanto menos ativas as pessoas são, maior a probabilidade de desenvolver sobrepeso ou obesidade.

2. Meio Ambiente:

O meio em que vivemos, que fomos criados e a nossa cultura também influenciam nos nossos hábitos alimentares. Longas jornadas de trabalho, costumes alimentares enraizados na família que não são saudáveis, pouco tempo para comer ou alimentar-se distraído também são fatores ambientais que colaboram para a obesidade. Quando o meio em que estamos ou fomos criados não é favorável para um estilo de vida mais saudável, devemos procurar ajuda para nos desprendermos desses hábitos e, aos poucos, entender mais sobre saúde e hábitos saudáveis.

3. Genética e histórico familiar:

A obesidade tende a ser hereditária, por isso as chances de um indivíduo desenvolver obesidade na infância ou mesmo depois de adulto são maiores para àqueles que possuem pais obesos. Estudos recentes vêm colaborando para a descoberta de marcadores genéticos que podem sofrer mutações em vários genes responsáveis ​​pelo controle do apetite e do metabolismo.

4. Problemas de saúde:

Alguns problemas hormonais podem colaborar para o sobrepeso e obesidade, incluindo hipotireoidismo, síndrome de Cushing e síndrome do ovário policístico.

5. Medicamentos:

Alguns medicamentos podem causar aumento de peso. Isso inclui alguns corticosteroides, antidepressivos e anticonvulsivantes.

6. Fatores emocionais:

Hoje em dia o emocional tem sido bastante relacionado com o comportamento alimentar. Algumas pessoas tendem a descontar na comida como forma de compensação quando se sentem entediadas, com raiva, estressadas, ansiosas ou deprimidas. Hoje em dia essas emoções estão sendo cada vez mais recorrentes entre a população mundial por diversos fatores.

7. Fumar:

Algumas pessoas ganham peso quando param de fumar. A principal razão é que os alimentos geralmente têm um sabor e um cheiro melhores e se tornam mais atrativos depois que a pessoa para de fumar. Outra razão é que a pessoa pode tentar compensar a abstinência do cigarro comendo.

8. Envelhecer:

À medida que envelhecemos, tendemos a perder massa muscular. A perda de massa muscular diminui o gasto energético do corpo. Se as pessoas não reduzirem a ingestão de calorias à medida que envelhecem ou se não se exercitarem, podem ganhar peso.

9. Gravidez:

Durante a gravidez, a mulher ganha peso para suportar o crescimento e desenvolvimento do bebê. Após o parto, algumas mulheres não conseguem perder peso. Isso pode levar ao sobrepeso ou obesidade, especialmente após várias gestações.

10. Qualidade do sono:

Hoje em dia temos diversas distrações que são comumente usadas à noite, como o celular, a televisão e o computador, sem contar o uso da energia elétrica que nos permite ficar acordados mesmo quando já escureceu. Portanto, há uma tendência em dormirmos mais tarde. Junto a isso, temos os horários escolares e de trabalho que não mudaram e continuam exigindo que as pessoas acordem cedo. A consequência imediata dessa situação é a redução das horas de sono e isso é grave. 

Enquanto dormimos, a secreção de alguns hormônios como a melatonina ou o hormônio do crescimento contribui para a síntese de proteínas de reparo celular, além disso, dormir também ajuda na realização de funções de formação de memória e organização mental, relaxamento muscular e economia de energia. 

A possível relação entre sono insatisfatório e obesidade pode ser explicada por diversas formas, por exemplo, ficar acordado à noite é um estímulo suficiente para motivar a ingestão noturna de alimentos, a falta de sono desequilibra os hormônios grelina e leptina que são responsáveis pela nossa percepção de fome e saciedade, o sono também afeta a forma como o corpo reage à insulina, o hormônio que controla a concentração de glicose (açúcar) no sangue. A falta de sono causa uma concentração de açúcar no sangue mais alta do que o normal, o que pode aumentar o risco de diabetes, sobrepeso e obesidade.

Dentre esses 10 fatores, um vem chamando atenção no âmbito científico que é a genética.

Por que devemos nos atentar cada vez mais com a genética?

Alguns estudos afirmam que o desequilíbrio energético reflete um estado de balanço energético positivo devido à predisposição genética da obesidade nas últimas décadas. Os aspectos genéticos da obesidade levam a mutações em vários genes responsáveis ​​pelo controle do apetite e do metabolismo.

Mas o que tudo isso tem a ver com o fato de a obesidade ser considerada uma doença?

A questão é que na base da obesidade está a adiposopatia ou “gordura doente” definida como “distúrbios anatômicos / funcionais do tecido adiposo promovidos pelo balanço calórico positivo em indivíduos geneticamente e ambientalmente suscetíveis que resultam em respostas endócrinas e imunológicas adversas que podem causar ou agravar doenças metabólicas”.A adiposopatia é a hipertrofia dos adipócitos, portanto, podemos classificar a obesidade como doença primária, visto que a adiposopatia determina a desregulação das vias metabólicas. As doenças metabólicas mais associadas à obesidade primária contribuem para a aterosclerose, hipertensão, dislipidemia, diabetes tipo II, hiperandrogenemia em mulheres e hipoandrogenemia / hiperestrogenemia em homens.

E no que a obesidade pode acarretar?

O excesso de gordura corporal pode acarretar anormalidades estruturais e funcionais que reduzem a qualidade de vida do indivíduo. Doenças como refluxo gastrointestinal, doença da vesícula biliar, osteoartrite, síndrome de hipoventilação obstrutiva do sono, distúrbios psicológicos e de comportamento alimentar, ansiedade e depressão e baixo desempenho físico são exemplos de consequências da obesidade. Além disso, a obesidade tem impacto no funcionamento cognitivo e no transtorno depressivo maior, alterando o humor e o estado psicológico dos doentes. Sem contar que o excesso de gordura corporal reduz a mobilidade e a resistência ao caminhar, acompanhados de sarcopenia, que é o baixíssimo percentual de massa magra no corpo.

Portanto…

É de extrema importância que tanto a sociedade no geral quanto os profissionais de saúde mudem o olhar de obesidade como consequência da preguiça para obesidade como doença!

O diagnóstico e o tratamento da obesidade desempenham um papel importante, uma vez que essa patologia está associada a um aumento do risco de inúmeras doenças e à redução da expectativa de vida. O acompanhamento de uma equipe multiprofissional é o ideal para realizar o tratamento da obesidade e a nutrição tem papel fundamental para que haja a mudança de hábitos alimentares!

Por isso, não deixe de agendar uma consulta com um de nossos nutricionistas.

Foto da nutricionista Camila, desconforto gastrointestinal durante endurance


Camila Serrano

Nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo, pós-graduanda em Nutrição Esportiva e Estética pela Plenitude.
Gosta da área de esportes em geral, mas o coração bate mais forte quando assunto é futebol!

Referências
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