Quais são os possíveis problemas nutricionais que podem ocorrer na altitude?

A relação entre nutrição e altitude é muito íntima e de extrema importância para a performance física no esporte de alto rendimento. Atletas que de repente se encontram a uma altitude superior a 2000 metros provavelmente experimentarão náusea e perda de apetite, ambos sintomas comuns em pessoas não acostumadas a altitude.

Isso pode parecer um problema menor, mas a falta de comer e beber o suficiente aumenta o potencial de déficit no armazenamento de glicogênio muscular, necessário para atividades de alta intensidade.

Verificou-se que a ingestão de alimentos e líquidos é entre 10 a 50% menor em ambientes de alta altitude que as quantidades consumidas perto do nível do mar.

Esse problema é intensificado porque os carboidratos são mais utilizados como fonte energética na altitude, podendo levar a uma fadiga muscular por deficiência energética mais precocemente.

O consumo maior de carboidratos deve ser estimulado em ambientes altos, principalmente em lugares altos e frios, porque um sistema primário de sustentação da temperatura corporal central no frio é um evento involuntário induzido pelo sistema nervoso central, os tremores, que aumenta drasticamente o uso de glicogênio muscular.

A falta de consumo de líquidos suficientes também é um problema significativo, devido à maior produção de urina em grandes altitudes, com maior risco de desidratação e fadiga precoce associada.

De fato, tentar manter um bom estado de hidratação em ambientes frios e de alta altitude é tão difícil quanto manter o equilíbrio de fluidos em ambientes quentes e úmidos por causa do aumento da produção de urina e da falha voluntária em beber líquidos suficientes. Pode até haver um risco aumentado de desidratação devido a altos níveis de perda de água se a roupa usada for particularmente retentora de calor.

Ottmar Hitzfeld, Suiça: É o campo de futebol em altitudes mais elevadas na Europa: está localizada a cerca de 2.000 metros acima do nível do mar, próximo a cidade suíça de Gspon, nos Alpes.

O que as pessoas fisicamente ativas podem fazer para satisfazer as necessidades nutricionais?

Adaptação a altitude

Não há substituto para a adaptação ao ambiente frio e de alta altitude. Os atletas que competem neste ambiente devem tentar passar pelo menos quatro dias nesse ambiente antes da competição. Isso permite que o corpo faça as adaptações apropriadas para resolver os inconvenientes da altitude.

Nos locais mais altos a concentração de oxigênio é menor, portanto, é importante garantir um bom status de ferro sem quaisquer sinais de deficiência ou anemia.

Se o objetivo for melhorar a capacidade de endurance, é importante gastar ainda mais tempo em grandes altitudes para melhorar a concentração de glóbulos vermelhos e a capacidade de transporte de oxigênio. Evidentemente, aumentar a concentração de glóbulos vermelhos aumenta a necessidade de nutrientes selecionados, exigindo uma dieta rica em alimentos ricos em ferro e com alta vitamina B12 (carnes vermelhas, etc.), alta vitamina C e ácido fólico (frutas e vegetais frescos), (ou marcar uma consulta aqui que cuidamos disso tudo pra vocês)

Ingestão calórica na altitude

A ingestão frequente em intervalos programados e planejados, com foco em alimentos ricos em carboidratos, é importante porque os carboidratos requerem menos oxigênio para metabolizar a energia do que proteínas ou gorduras.

A ingestão insuficiente de energia reduz a força e a resistência, fatores críticos no desempenho atlético. A alimentação frequente requer um planejamento avançado para garantir que haja horários planejados para comer durante o dia (a cada três horas) e alimentos disponíveis que possam ser acessados ​​com facilidade. Devido à náusea que é comum no início do processo de adaptação, comer quantidades menores com maior frequência pode ser uma estratégia útil para ajudar a garantir a ingestão adequada.

Fluidos na altitude

Tomar peso antes e depois do exercício e / ou no início e no final do dia é uma boa medida indireta da quantidade de água corporal que foi perdida, mas não substituída. Os atletas devem monitorar a quantidade de líquido consumida e adicionar a quantidade necessária para sustentar o peso corporal.

Nas provas de endurance, se o atleta não puder transportar líquidos com eles, deve haver estações de hidratação conhecidas e disponíveis que o atleta possa acessar com facilidade e em alta frequência.

Nutricionista da Kia Kaha preparando os líquidos para hidratação das atletas durante uma partida de futebol disputada a 2800m de altitude em Quito, Equador.

Carboidratos e altitude

É importante focar no consumo de alimentos ricos em carboidratos para ajudar a otimizar os estoques de glicogênio, que são usados ​​com maior frequência em ambientes frios e de alta altitude. O consumo frequente de carboidratos também ajudará a sustentar a glicemia e, portanto, a função mental (o cérebro é um consumidor feroz de açúcar no sangue). Fornecerá também uma fonte de combustível para trabalhar g músculos que não necessitam de oxigênio para metabolizar.

Conclusão:

Planeje para que o atleta NUNCA fique com FOME ou SEDE e tenha energia disponível suficiente para compensar o gasto calórico extra das grandes altitudes.

Parece um recado simples, mas fará toda diferença na sua performance esportiva

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Kia Kaha / Be Strong / Permaneça forte

REFERÊNCIAS

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