No artigo de hoje vamos abordar como o isolamento social com regras mais severas pode influenciar negativamente no comportamento alimentar. Além disso, vamos abordar como um ciclo negativo pode surgir com esse isolamento social.

O enfrentamento das diversas crises ao mesmo tempo

Sabemos que estamos passando por um momento inédito de crise na saúde, porém esta crise não se resume somente à área da saúde, ela causa um efeito dominó se alastrando pela economia, desenvolvimento e política.

Sendo assim, as pessoas não possuem somente uma preocupação. Existe, obviamente, a preocupação com a COVID-19 e seu contágio, mas também a preocupação com a economia do país, com seus empregos, com a sobrecarga gerada em cima desse isolamento, com a crise política e tudo que isso pode acarretar. Portanto, quando falamos de consequências do isolamento social devido a COVID-19, estamos falando de pessoas mais ansiosas, estressadas, preocupas, sobrecarregadas e com privação de lazer e contato social.

O ciclo negativo consequente à tudo que estamos vivendo

Isso tudo pode gerar um ciclo que começa com a tentativa de compensação de todos esses sentimentos negativos. Essa compensação pode começar com uma mudança no comportamento alimentar, a partir de uma alimentação rica em açúcares e gorduras, com alimentos mais calóricos, isso porque nosso cérebro está basicamente programado para achar uma fonte rápida de prazer quando estamos em situação de estresse ou ansiedade. E, sendo assim, alimentos mais calóricos, ricos em açucares e gorduras se tornam mais atrativos e confortantes.

A partir daí, ativamos o próximo ponto do ciclo negativo:

Indisposição e sedentarismo. Uma alimentação qualitativamente ruim e descompensada nos deixa mais indispostos no dia a dia pois, apesar de estarmos consumindo calorias a mais, as fontes dessas calorias geralmente são más escolhas, se resumindo a produtos ultraprocessados que não nos fornecem vitaminas e sais minerais adequadamente além de serem cheios de conservantes, gorduras ruins, ricos em açúcar e tantos outros produtos que a indústria adiciona e que não são nada legais para um consumo diário.Alimentação ruim e sedentarismo já são por si só requisitos suficientes para um sono de má qualidade. Passamos o dia indispostos e sonolentos, mas na hora de dormir a qualidade é péssima, o sono “não vem”. Isso faz com que fiquemos até mais tarde acordados esperando o sono bater, mesmo assim dormimos mal.

Sono de má qualidade, alimentação inadequada e sedentarismo…

Esses três são considerados preditores para o sobrepeso e obesidade que, por sinal, tiveram aumento de prevalência durante a pandemia e o isolamento social. Sobrepeso e obesidade associados à hábitos não saudáveis podem acarretar no surgimento de doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Isso pode voltar a gerar mais sentimentos de estresse, ansiedade, medo e preocupação, voltando assim, para o início do ciclo negativo.

ciclo negativo
Ciclo negativo
Mas… dá para reverter!

A boa notícia é que esse ciclo pode ser revertido começando por uma alimentação adequada e balanceada, que possa nos deixar mais dispostos no dia a dia. Assim, teremos mais disposição para tentarmos alguma atividade física mesmo que seja em casa. Alimentação balanceada e atividade física em dia, consequentemente traz benefícios na qualidade do nosso sono, o que também irá refletir na manutenção do peso e na predisposição de doenças crônicas. O que refletirá no bem-estar e nos sentimentos durante o isolamento, podendo trazer mais sanidade mental para enfrentarmos juntos essa pandemia.Ansiedade, estresse,… e etc

ciclo reverso
Ciclo reverso
A importância da alimentação saudável.

Perceberam como é importante cuidarmos da nossa alimentação e o quanto isso pode refletir na nossa saúde física e mental durante tempos de isolamento social? Portanto, agende uma consulta para ele te orientar e auxiliar nas boas escolhas alimentares nesse período mais difícil de isolamento mais severo!

Foto da nutricionista Camila, desconforto gastrointestinal durante endurance

Camila Serrano

Nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo, pós-graduanda em Nutrição Esportiva e Estética pela Plenitude.
Gosta da área de esportes em geral, mas o coração bate mais forte quando assunto é futebol!

Referências:
  1. QUARESMA, M. et al. Emotional eating, binge eating, physical inactivity, and vespertine chronotype are negative predictors of dietary practices during COVID-19 social isolation: A Cross-Sectional Study. Nutrition, 2021.
  2. Naja, F., Hamadeh, R. Nutrition amid the COVID-19 pandemic: a multi-level framework for actionEur J Clin Nutr 74,  2020. 
  3. DI RENZO, L. et al. Eating habits and lifestyle changes during COVID-19 lockdown: an Italian survey. Journal of translational medicine, 2020.
  4. Muscogiuri, G. et al. Recomendações nutricionais para quarentena CoVID-19. Eur J Clin Nutr 74, 2020.