Tudo sobre dieta cetogênica! 

Você provavelmente já ouviu falar sobre essa tal dieta. Mas você sabe como ela funciona? Quais são as mudanças que ela pode trazer para o nosso organismo? E qual a relação entre essa dieta e desempenho esportivo? 

Ao longo desse artigo vamos abordar sobre todas essas questões além de explicar mais um pouquinho sobre os corpos cetônicos e a suplementação destes.

Como funciona a dieta cetogênica?

As dietas cetogênicas contam com pouco ou nenhum carboidrato na alimentação e, além disso, podem ser caracterizadas por estimularem a cetogênese endógena, ou seja, produção de corpos cetônicos pelo nosso organismo.

Por serem dietas com baixo teor de carboidratos, a porcentagem de gordura ingerida na cetogênica é alta e a de proteína é moderada. Pode-se dizer que, na maioria das vezes, a distribuição calórica é de aproximadamente 80% das calorias vindas da gordura, 15% da proteína e 5% dos carboidratos.

Na teoria, o alto teor de gordura da cetogênica combinado com a baixa ingestão de carboidratos, auxilia na oxidação de gordura, promovendo a perda da mesma. Além disso, a dieta induz um estado metabólico com elevados níveis séricos de corpos cetônicos. Esse estado metabólico é chamado de cetose, onde há aumento da oxidação de corpos cetônicos. 

Mas… o que são os corpos cetônicos?

Os corpos cetônicos são moléculas sintetizadas pelo fígado através de um processo chamado cetogênese. Dando nomes aos bois: acetoacetato, acetona e beta-hidroxibutirato. Quando há bastante cetogênese, o nível desses corpos cetônicos fica elevado e nosso corpo fica em estado de cetose. Alguns trabalhos sugerem que os corpos cetônicos sejam melhor fonte de energia do que os carboidratos e os ácidos graxos, porém essa teoria é controversa no meio científico.

O estado de cetose

O estado de cetose pode ser classificado de duas maneiras: Cetose fisiológica: é quando os níveis de corpos cetônicos ficam elevados por consequência de um jejum ou exercício.

Cetose nutricional: é quando os níveis de corpos cetônicos ficam elevados após serem induzidos por estratégias nutricionais ou de suplementação.

É importante saber que estado metabólico de cetose é diferente de cetoacidose. Diferentemente da cetose, a cetoacidose é uma condição patológica, ou seja, condição de doença, com níveis elevados de cetona sérica e valores de pH arterial diminuídos que podem ser vistos em diabéticos, por exemplo.

Cetogênica e emagrecimento

Em primeiro lugar, ao se falar em emagrecimento, a dieta cetogênica se mostra tão eficaz quanto outras estratégias nutricionais. Vários estudos em humanos avaliaram os benefícios dessa dieta no emagrecimento. Em um estudo feito durante um ano com 160 indivíduos que apresentavam sobrepeso e obesidade, a dieta cetogênica reduziu o peso corporal, o colesterol e a insulina no mesmo grau que as dietas com baixo teor de gordura, restrição calórica ou redução de carboidratos. 

Entretanto a questão da cetogênica é que ela é uma dieta totalmente restritiva em carboidratos, por esse motivo a adesão dos pacientes à dieta costuma ser baixa. É sempre necessário avaliar com o seu nutricionista se essa estratégia é realmente a melhor e mais indicada para você, afinal a melhor dieta é aquela que você consegue seguir, não é mesmo?!

Dieta cetogênica e desempenho esportivo

Já quando o assunto é desempenho esportivo, a dieta cetogênica pode ser dividida em duas aplicabilidades:

Para exercícios aeróbicos:

A dieta cetogênica pode demonstrar alguma vantagem para exercícios de resistência aeróbia, pois promove o uso de gordura como combustível, via metabólica essa utilizada predominantemente durante esse tipo de exercício. Acontece que exercícios de intensidade baixa a moderada, usam como fonte de energia principal, a oxidação de ácidos graxos exógenos. 

Sendo assim, na teoria essa estratégia que promove a disponibilidade de ácidos graxos poderia ser mais vantajosa para otimizar o desempenho em exercícios de endurance…

Todavia, quando saímos da teoria e estudamos a prática através de inúmeros estudos que avaliaram a relação entre dieta cetogênica e desempenho esportivo em endurance, percebemos que os estudos feitos com humanos relataram uma melhora na redução do peso e da porcentagem de gordura corporal. Porém quando se trata de desempenho os resultados obtidos não são positivos. Apesar de diminuições significativas na razão de troca respiratória, representando um aumento na oxidação de ácidos graxos, a cetogênica não alterou significativamente o tempo total até a exaustão nem o consumo máximo de oxigênio (VOmáx) ou desempenho no ciclismo. E pior, quando atletas foram submetidos a fazer a cetogênica por um período de 3 semanas, houve um prejuízo nas adaptações de treinamento de atletas de corrida de elite, elevando as taxas de consumo de oxigênio durante a corrida.

Para exercícios anaeróbicos:

No exercício anaeróbico, que é um exercício de alta intensidade e baixa duração, vários estudos avaliaram os efeitos da cetogênica no desempenho mensurando principalmente os parâmetros de potência e força, em várias populações, incluindo atletas de CrossFit, ginastas e levantadores de peso.Esses estudos demonstram que a dieta cetogênica não é uma estratégia eficaz para aumentar o desempenho em indivíduos ou atletas treinados e tem o potencial de anular os aumentos esperados na massa magra com esse treinamento.

Suplementação de corpos cetônicos

Como a dieta cetogênica requer alto consumo de gordura e, sendo assim, apresenta dificuldade de adesão em longo prazo, métodos alternativos para obter o estado metabólico de cetose começaram a ser investigados como uma intervenção para perda de peso ou como um auxílio ergogênico. Em apoio a isso, vários estudos examinaram os benefícios dos suplementos de corpos cetônicos no desempenho do exercício.Aqueles suplementos que possuem corpos cetônicos combinados com carboidratos, apresentaram um aumento de 2% no desempenho do exercício em ciclistas treinados. No entanto, nem todos os suplementos aumentam o desempenho do exercício, o que levanta o questionamento se o resultado obtido não foi por causa da combinação com o carboidrato.

Dieta cetogênica e doenças neurodegenerativas 

Há uma tendência científica estudando a relação do papel da dieta cetogênica na prevenção da doença de Parkinson e da doença de Alzheimer. Porém, a aplicação da dieta cetogênica em pessoas idosas pode não ser muito interessante, pois pessoas com doenças neurodegenerativas se encontram, na maioria das vezes, em risco de desnutrição. A redução da ingestão de alimentos está associada aos sintomas da doença. Por isso, o meio científico encontra-se em um dilema nesse tema.A dieta cetogênica leva a uma redução do apetite e isso não é atraente quando se trata de pacientes em risco de desnutrição. Não há dados disponíveis sobre a aplicação a longo prazo da dieta cetogênica em pacientes com doença neurodegenerativa ou dados sobre seus efeitos nos sintomas da doença. 

Pontos negativos

Evidências recentes expressam preocupações potenciais com o comprometimento da saúde óssea (estudos feitos com roedores). Vários estudos relataram diminuições no conteúdo mineral ósseo e na densidade óssea após essa estratégia. Em outro estudo sobre neurodegeneração, a cetogênica causou aceleração do processo neurodegenerativo e disfunção mitocondrial, apesar da promoção da biogênese mitocondrial. Além disso, dependendo das fontes de carboidratos da dieta, a cetogênica também pode levar a deficiências de micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do nosso organismo.

Por fim, queremos reforçar o quanto é importante que você defina junto ao seu nutricionista qual é a melhor estratégia para o seu caso. É preciso levar em conta diversos fatores como o seu objetivo, suas preferências e costumes alimentares, sua rotina, seus exames bioquímicos e sua principal necessidade, além é claro de balancearmos tudo isso com as principais dificuldades que são os obstáculos para você ter adesão ao planejamento nutricional, pois nada funcionará sem adesão!

Um nutricionista especializado saberá te orientar e definir aquela estratégia nutricional que será perfeita para você! Então agende uma consulta com a gente.

Foto da nutricionista Camila, desconforto gastrointestinal durante endurance
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Camila Serrano

Nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo, pós-graduanda em Nutrição Esportiva e Estética pela Plenitude.
Gosta da área de esportes em geral, mas o coração bate mais forte quando assunto é futebol!

Referências:
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